1 de março de 2012

Slow Science: a ciência lenta

 

Biblio FFLCH

O título deste post pode parecer estranho, principalmente se você pensar que o ritmo do desenvolvimento científico está cada vez mais acelerado. No entanto, há boas razões para acreditar que a Slow Science é o que pode mudar alguns parâmetros do que se considera “boa ciência”.
Mas em que consiste exatamente essa tal de Slow Science? A “Ciência Lenta” é um movimento iniciado na Alemanha, que visa exigir mais tempo para que cientistas façam suas pesquisas.


Quem adere ao movimento compromete-se em não se render à publicação desenfreada de artigos. Para quem não sabe, o número de publicações de artigos em revistas científicas reconhecidas é determinante para áreas como as de Extas e Biológicas, podendo alterar a quantidade de recursos que um pesquisador terá para pesquisas futuras. Ainda que em menor escala, o número de publicações também é considerado um ponto importante na avaliação de pesquisadores nas áreas de Humanidades e Ciências Sociais, além de ser um dos fatores para avaliar a produção científica de universidades.

Os defensores da Slow Science argumentam que a pressão para publicar pode levar o pesquisador a tirar conclusões de forma precipitada, já que não haveria tempo suficiente para verificação de todos os dados e hipóteses. Apesar de crescer lentamente, o movimento vem ganhando adeptos nos últimos tempos, com base na ideia de que “a ciência precisa de tempo para pensar”.
E você, o que acha? Leia o manifesto da Slow Science e tire suas próprias conclusões.
Veja também esta matéria sobre o assunto.

O MANIFESTO DA "SLOW SCIENCE"

Nós somos cientistas. Nós não blogamos. Nós não twittamos. Fazemos as coisas a nosso ritmo.

Mas não nos levem a mal - dizemos sim para a ciência acelerada do início do século 21. Dizemos sim ao constante fluxo de publicações revisadas por peer-review e a seu impacto; dizemos sim para blogs de ciência e para a necessidade de mídia e de relações públicas; dizemos sim à crescente especialização e diversificação em todas as disciplinas. Nós também dizemos sim para que a investigação retroalimente na saúde pública e na prosperidade futura. Todos nós estamos neste jogo também.

No entanto, sustentamos que isto não pode ser tudo. A ciência precisa de tempo para pensar. Ciência precisa de tempo para ler, e tempo para falhar. A ciência nem sempre sabe o que pode ser crucial agora. A ciência se desenvolve de modo inconstante, com movimentos bruscos e saltos imprevisíveis para a frente - ao mesmo tempo, no entanto, arrasta-se progredindo em uma escala de tempo muito lenta, para a qual deve haver espaço e para a qual a justiça deve ser feita.

A ciência lenta foi praticamente a única ciência concebível por centenas de anos; hoje, argumentamos, ela merece ser revivida e necessita proteção. A sociedade deve dar aos cientistas o tempo necessário, mas mais importante, os cientistas devem fazer a seu ritmo.

Precisamos de tempo para pensar. Precisamos de tempo para digerir. Precisamos de tempo para nos desentendermos, especialmente quanto a promoção do diálogo perdido entre humanidades e ciências naturais. Nós não podemos
continuamente dizer o que nossa ciência significa, para que ela servirá, porque nós simplesmente ainda não sabemos. A ciência precisa de tempo.

-Junte-se a nós, enquanto pensamos.

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The Slow Science Academy.Berlin.Germany.academy@slow-science.org 
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