Gurgel vai investigar a revista Veja?
Por Altamiro
Borges
Após engavetar as denúncias por três anos, finalmente o
procurador-geral da República, Roberto Gurgel, decidiu pedir a abertura de
inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar o senador Demóstenes
Torres por suas ligações com o mafioso Carlinhos Cachoeira. Poucas horas antes,
o falso moralista da direita anunciou a sua renúncia da liderança do DEM no
Senado.“Considerei as denúncias graves o
suficiente para que houvesse o pedido de instauração de inquérito”, justificou
Gurgel. Segundo o sítio do STF, Demóstenes será investigado pelos crimes de
corrupção passiva, prevaricação e advocacia administrativa (quando um servidor
defende interesse privado perante a administração pública). O pedido do
inquérito tem 56 páginas e 16 apensos.
Liquidado
politicamente
A própria mídia, que sempre bajulou o senador demo, já
reconhece que ele está liquidado. “Demóstenes optou por renunciar à liderança
por não ter mais condições para conduzir votações. O presidente do partido,
senador José Agripino (RN), assumiu seu lugar. Abatido, Demóstenes passou o dia
trancado em seu gabinete e não circulou pelos corredores do Senado”, relata a
Folha.
Durante os últimos dias, o ex-líder do DEM ainda tentou convencer
seus pares no Congresso Nacional de que é inocente. O seu esforço foi para
evitar que também seja aberto um processo no Conselho de Ética do Senado, o que
pode causar a perda do seu mandato. O PSOL já anunciou que encaminhará pedido ao
presidente da casa, José Sarney, para o início do processo de
cassação.
Assassino de reputação vira alvo
Demóstenes
Torres, que sempre posou de paladino da ética e bateu para matar em seus
adversários políticos, agora engole o seu próprio veneno. Até o DEM, para evitar
maiores desgastes e o risco de extinção, já estuda sua expulsão. Agripino Maia,
presidente da legenda, admitiu essa possibilidade ao afirmar que a sigla “não
convive com a falta de ética”. É cômico, mas sintomático!
Com a abertura
do inquérito no STF, a situação do demo deverá se complicar ainda mais. Como ele
justificará o presentinho de casamento dado pelo amigo Carlinhos Cachoeira, o
celular antigrampo, habilitado nos EUA, os 298 telefonemas para o mafioso e,
principalmente, a denúncia da revista CartaCapital de que ele recebia 30% de
todos os negócios ilegais do bicheiro?
A quadrilha e a revista Veja
Outra linha interessante de investigação, que também poderia ser
solicitada pelo procurador-geral Roberto Gurgel, seria sobre as relações desta
“quadrilha” com a revista Veja. Com base nas escutas da Operação Monte Carlo da
PF, o blogueiro Luis Nassif já denunciou que o mafioso Carlinhos Cachoeira deu
mais de 200 telefonemas para o editor-chefe da revista, Policarpo
Junior.
A revista Veja sempre amplificou os escândalos plantados por
Demóstenes Torres, um notório assassino de reputações. Agora, o jornalista Marco
Damiani, do sítio Brasil-247, publica entrevista bombástica com o ex-prefeito de
Anápolis (GO), Ernani de Paula. Ele garante que “Cachoeira e Demóstenes armaram
o esquema do mensalão” e que a Veja foi usada na armação. Vale
conferir:
*****
“Cachoeira e Demóstenes armaram o
mensalão”
Por Marco Damiani
O
mensalão, maior escândalo político dos últimos anos, que pode ser julgado ainda
este ano pelo Supremo Tribunal Federal, acaba de receber novas luzes. Elas
partem do empresário Ernani de Paula, ex-prefeito de Anápolis, cidade natal do
contraventor Carlinhos Cachoeira e base eleitoral do senador Demóstenes Torres
(DEM-GO).
“Estou convicto que Cachoeira e Demóstenes
fabricaram a primeira denúncia do mensalão”, disse o ex-prefeito em entrevista
ao 247. Para quem não se lembra, trata-se da fita em que um funcionário dos
Correios, Maurício Marinho, aparece recebendo uma propina de R$ 5 mil dentro da
estatal. A fita foi gravada pelo araponga Jairo Martins e divulgada numa
reportagem assinada pelo jornalista Policarpo Júnior. Hoje, sabe-se que Jairo,
além de fonte habitual da revista Veja, era remunerado por Cachoeira – ambos
estão presos pela Operação Monte Carlo. “O Policarpo vivia lá na Vitapan”, disse
Ernani de Paula ao 247.
O ingrediente novo na história
é a trama que unia três personagens: Cachoeira, Demóstenes e o próprio Ernani.
No início do governo Lula, em 2003, o senador Demóstenes era cotado para se
tornar Secretário Nacional de Segurança Pública. Teria apenas que mudar de
partido, ingressando no PMDB. “Eu era o maior interessado, porque minha
ex-mulher se tornaria senadora da República”, diz Ernani de Paula. Cachoeira
também era um entusiasta da ideia, porque pretendia nacionalizar o jogo no País
– atividade que já explorava livremente em
Goiás.
Segundo o ex-prefeito, houve um veto à indicação
de Demóstenes. “Acho que partiu do Zé Dirceu”, diz o ex-prefeito. A partir daí,
segundo ele, o senador goiano e seu amigo Carlos Cachoeira começaram a articular
o troco.
O primeiro disparo foi a fita que derrubou
Waldomiro Diniz, ex-assessor de Dirceu, da Casa Civil. A fita também foi gravada
por Cachoeira. O segundo, muito mais forte, foi a fita dos Correios, na
reportagem de Policarpo Júnior, que desencadeou todo o enredo do Mensalão, em
2005.
Agora, sete anos depois, na operação Monte Carlo,
o jornalista de Veja aparece gravado em 200 conversas com o bicheiro Cachoeira,
nas quais, supostamente, anteciparia matérias publicadas na revista de maior
circulação do País.
Até o presente momento, Veja não se
pronunciou sobre as relações de seu redator-chefe com o bicheiro. E, agora, as
informações prestadas ao 247 pelo ex-prefeito Ernani de Paula contribuem para
completar o quadro a respeito da proximidade entre um bicheiro, um senador e a
maior revista do País. Demonstram que o pano de fundo para essa relação
frequente era o interesse de Cachoeira e Demóstenes em colocar um governo contra
a parede. Veja foi usada ou fez parte da trama?
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